quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O mau uso da religião

Eu vou começar esse post com uma frase que sinceramente já ouviram em muitos lugares.
- Olha, trabalhar com pessoas não é fácil viu?...
Pois é, não mesmo! E ainda por cima quando envolvem INDEVIDAMENTE o assunto religião no meio! Fico muito brava com isso. Mas deixa eu contar o que aconteceu...

Existem duas pessoas no local onde trabalho que imaginam que por serem espíritas sabem de tudo e podem fazer tudo, em nome de "ajudar". Mas o que elas chamam de ajudar, em nosso bom e velho português, se chama puxar o tapete. Pois bem, o fato é que elas outro dia estavam conversando sobre grupo de estudos, e uma delas estava falando da experiência que teve em um dos centros que frequentara. Que fora orientada de que deveria inicar os estudos etc e tal. E ao chegar em casa, soube que o irmão tinha batido o carro. Essa pessoa começou a falar um monte de coisa. Praticamente adorando o que havia acontecido com o irmão.

O que ocorre é que não acho certo uma pessoa ficar se gabando de mediunidade e espiritualidade para desejar que os outros vejam fatos e dados de acordo e somente com o modo que elas pensam. Isso prá mim não é religião. Falar que é católica, espirita, judia, judeu e sei mais lá o que. Só prá se valer da crítica que vai fazer ao fulano de tal. Puxa vida! Tenha brios. Faça a crítica de acordo com sua opinião, e não de acordo com a religião que professa. Não diga:

- Bem Feito! Eu avisei prá você, eu não sei se você sabe, mas sou espírita, sou isso e aquilo outro.
Ridículo!!!!!

Isso me fez lembrar o que aconteceu na idade média, com as cruzadas, com os templários, com os muçulmanos, com os (as) camponeses (as) que foram queimados na fogueira, acusados de heresia. Tudo em nome de um Deus que certamente fechou os olhos prá não ver o vexame que era isso!

Quando decidi que ia ter um blog, e nele ia comentar minha experiência com a umbanda, disse a mim mesma que ia ser para esclarecer muita coisa que ficara mau entendida no meio do caminho. Pois bem, somos severamente criticados de que em 24 horas do dia fazemos macumba, trabalhos. Não. Apenas ajudamos a quem de nós precisa, seja com uma palavra, um benzimento, uma oração, enfim. Coisas que podemos fazer sós ou em companhia das entidades que nos acompanham. E vejam só, uma pessoa que critica e apenas critica nossa posição, ainda acredita que por professar outra fé, e viver de acordo com ela pode nos criticar quando ela por sua vez apenas deseja o mau dos outros. E quer se aparecer de médium quando na realidade não trabalha lá muito bem para merecer o dom de Deus? Sinceramente....

Amigos, fiquei calada com o que ouvi. Apenas ouvi. Como diz o ditado, a carapuça não serviu. Então... Bem, essa pessoa ainda tem muito o que aprender. E graças a Deus todos temos, mas digamos que por trabalhar com ela, posso dizer que o aprendizado não está sendo nada fácil para ela.

É isso. Foi uma espécie de desabafo, mas também um ponto de vista compartilhado.

Fiquem na luz de Deus e tenham todos um fim de semana de muita paz!

Abraços.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Hoje é dia de São Sebastião.

Na umbanda, sincronizado como Oxóssi. Senhor das matas e dos animais.

sábado, 11 de dezembro de 2010

As características dos filhos de orixás

Até bem pouco tempo, confesso que para mim somente um orixá vibrava na aura de cada filho. Mas não, fiquei sabendo que tem o que rege a coroa, que seria como o principal. E os demais da frente, da costa e dos lados. E o único jeito de saber, insisto, é consultando uma mãe ou pai de santo. Ele vai te falar qual rege sua coroa. Assim como os demais orixás que te acompanham (se é que podemos usar esse termo, mas por hora, ele é o que melhor se encaixa). Pois bem, cada santo transmite a seu (a) filho (a) características marcantes. E somente para quem entende e já estudou fica fácil entender.  Vou colocar algumas características de alguns santos aqui. Encontrei o texto na net e achei super interessante. E para começar, não poderia ser diferente. Vamos falar de nosso pai OXALÁ.

Características dos Filhos de Oxalá

Mercê da própria presença soberana do Orixá Maior da Umbanda, os Filhos de Oxalá também marcam naturalmente suas próprias presenças. Destacam-se com facilidade em qualquer ambiente, são cuidadosos e generosos, e, dada sua exigência no sentido de conseguir sempre a perfeição, são também detalhistas ao extremo.

Curiosos, procuram saber detalhes, às vezes, chegando mesmo a tornarem-se aborrecidos por isso. Pais excelentes. Mães amorosas. Dedicam-se com um carinho excepcional às crianças, com quem se relacionam muito naturalmente e de quem não gostam de afastar-se. Relacionam-se com facilidade com filhos de outros Orixás, todavia, têm sempre certa prevenção em relação às pessoas a quem não conhecem muito bem. São um tanto inconstantes e se amuam ou se zangam com grande facilidade. Impõem sua opinião até os extremos e não raramente por causa dessa característica de desentendem com filhos de Ogum, Inhaçã e Xangô, principalmente.

São, também, pessoas de grande capacidade de mando, tornando-se, não raras vezes, líderes em suas comunidades. Por outro lado, são também ensimesmados, tendo alguma dificuldade em expor problemas e/ou desabafar com estranhos e, às vezes, até mesmo com pessoas íntimas. A velhice tende a tornar os Filhos de Oxalá irritados e rabugentos. Por paradoxal que pareça, a vaidade masculina encontra em seu mais alto ponto nos Filhos de Oxalá, sempre preocupados em ostentar boa aparência e em serem agradáveis.

As Filhas de Oxalá são boas mães e esposas, embora, às vezes, se mostrem um pouco dominadoras e ciumentas. Também gostam de apresentar-se bem, embora discretamente.

sábado, 30 de outubro de 2010

Um pouco de conversa...

Em geral quando as pessoas vão procurar a umbanda, é por que o que foi dito antes, já não disperta mais fé. Sem querer dizer que outras religiões não são boas. Não é isso. TODAS SÃO. Você só tem que ir com o coração. E tudo irá fluir automaticamente.

A ansiedade, a pressa de tudo acontecer pode também por algo a perder. Quando você está numa vibração de paz e segue uma religião, professa sua espiritualidade. Você consegue automaticamente "esperar" que as coisas sigam seu caminho natural. Quando não, você atropela tudo e tudo vai por água abaixo. Digo isso, por que às pessoas que vão se consultar com um guia ou entidade. Esperam desesperadamente que eles digam, "você vai precisar fazer um trabalho", ou então, "acenda essa vela, confie e peça", e ainda "tome esse e aquele banho". É fato que os guias ou entidades podem dizer isso a você. Faz parte. Mas e se eles não disserem? Você irá desanimar de primeira e pronto acabou?! Não. Não. Não.

O guia ou entidade vai te pedir que faça exatamente o que precisa. Então ao se consultar com uma entidade não fique chateado (a), se ele ou ela não te pedir um trabalho, banho, vela, enfim. Apenas agradeça, pois ele te ouviu de uma maneira que ninguém mais (fora a nossa mãe). Vai conseguir. Já cansei de várias vezes ir me consultar com uma entidade só prá desabafar, não de coisas corriqueiras do dia-dia. Mas sim ligadas ao plano astral, sobre dificuldades mostradas em minha vida que eu simplesmente não sabia de onde vinham...E saia sempre de alma leve. Só pelo fato de poder falar coisas que outra pessoa não entendia. Então. Agradeça todos os dias pelos seus guias, pelos seus mentores e a Deus nosso pai Oxalá que permitiu sua evolução para tê-los ao seu lado, e você poder trabalhar com eles.

Caso não saiba quem são, não se desespere. Eles darão um jeito de você saber, mas na hora certa. Na hora que você estiver preparado (a). Uma entidade espiritual vela pela pessoa que ira o ajudar em terra. Ele gosta de você demais, e jamais vai querer que você seja prejudicado (a). Mantenha a fé.

É isso, senti a vontade de escrever a respeito, pois achei que poderia ter alguém precisando de ouvir. Coisa que um dia eu também precisei.

Abraços de muita luz. E bençãos de Deus

Os Ciganos e a natureza

A força da natureza

Nós ciganos necessitamos das forcas da natureza para recarregar nossas energias e fortalecer nossa aura, para continuarmos a sobreviver. Essa necessidade de estar em contato com a natureza é fundamental para todos os ciganos.

O sol, a lua, em contato com um grupo cigano, transmite energia e força para superarmos todos os obstáculos que porventura venham atrapalhar nossa caminhada. O fogo é fundamental, pois são eles que nos dá a vidência na fogueira. E que afasta as negatividades.

É a fé que nos da força para vivermos neste planeta terra; é a terra que nos dá energia, por vivermos em contato com o solo-mãe.

Ao deitarmos sobre a mãe terra, ela nos dá descanso, paz e tranqüilidade; ao acordarmos, sentimos que somos felizes e alegres.

Assim nossos antepassados nos ensinaram a viver em liberdade, com a natureza que Deus criou.

Obrigada natureza por conservarmos a doutrina de nossos antepassados.

Trecho extraído do livro como descobrir e cuidar de "seus" ciganos
Cigana NataSha

sábado, 23 de outubro de 2010

A falange dos ciganos na umbanda

A linha cigana é do oriente. E essa falange quem comanda é São João Batista.
Esta linha de trabalhos espirituais já é muito antiga dentro da Umbanda, e “carregam as falanges ciganas juntamente com as falanges orientais uma importância muito elevada, sendo cultuadas por todo um seguimento espírita e que se explica por suas próprias razões, elegendo a prioridade de trabalho dentro da ordem natural das coisas em suas próprias tendências e especialidades.

Assim, numerosas correntes ciganas estão a serviço do mundo imaterial e carregam como seus sustentadores e dirigentes aqueles espíritos mais evoluídos e antigos dentro da ordem de aprendizado, confundindo-se muitas vezes pela repetição dos nomes comuns apresentados para melhor reconhecimento, preservando os costumes como forma de trabalho e respeito, facilitando a possibilidade de ampliar suas correntes com seus companheiros desencarnados e que buscam no universo astral seu paradeiro, como ocorre com todas as outras correntes do espaço.

O povo cigano designado ao encarne na Terra, através dos tempos e de todo o trabalho desenvolvido até então, conseguiu conquistar um lugar de razoável importância dentro deste contexto espiritual, tendo muitos deles alçado a graça de seguirem para outros espaços de maior evolução espiritual, juntamente com outros grupos de espíritos, também de longa data de reencarnações repetidas na Terra e de grande contribuição, caridade e aprendizado no plano imaterial.

A argumentação de que espíritos ciganos não deveriam falar por não ciganos ou por médiuns não ciganos e que se assim o fizessem deveriam faze-lo no idioma próprio de seu povo, é totalmente descabida e está em desarranjo total com os ensinamentos da espiritualidade sua doutrina evangélica, até as impossíveis limitações que se pretende implantar com essa afirmação na evolução do espírito humano e na lei de causa e efeito, pretendendo alterar a obra divina do Criador e da justiça divina como se possível fosse, pretendendo questionar os desígnios da criação e carregar para o universo espiritual nossas diminutas limitações e desinformação, fato que nos levaria a inviabilização doutrinária. Bem como a eleger nossa estada na Terra como mera passagem e de grande prepotência discriminatória, destituindo lamentavelmente de legitimidade as obras divinas.

Outrossim, mantêm-se as falanges ciganas, tanto quanto todas as outras, organizadas dentro dos quadros ocidentais e dos mistérios que não nos é possível relatar. Obras existem, que dão conta de suas atuações dentro de seu plano de trabalho, chegando mesmo a divulgar passagens de suas encarnações terrenas. Agem no plano da saúde, do amor e do conhecimento, suportam princípios magísticos e tem um tratamento todo especial e diferenciado de outras correntes e falanges.

Ao contrário do que se pensa os espíritos ciganos reinam em suas correntes preferencialmente dentro do plano da luz e positivo, não trabalhando a serviço do mau e trazendo uma contribuição inesgotável aos homens e aos seus pares, claro que dentro do critério de merecimento, tanto quanto qualquer outro espírito teremos aqueles que não agem dentro desse contexto e se encontram espalhados pela escuridão e a seus serviços, por não serem diferentes de nenhum outro espírito humano.

Trabalham preferencialmente na vibração da direita e aqueles que trabalham na vibração da esquerda, não são os mesmo espíritos de ex ciganos, que mantêm-se na direita, como não poderia deixar de ser, e, ostentam a condição de Guardiões e Guardiãs. O que existe são os Exus Ciganos e as Moças Ciganas, que são verdadeiros Guardiões à serviço da luz nas trevas, como todo Guardião e Guardiã dentro de seus reinos de atuação, cada um com seu próprio nome de identificação dentro do nome de força coletivo, trabalhando na atuação do plano negativo à serviço da justiça divina, com suas falanges e trabalhadores, levando seus nomes de mistérios coletivos e individuais de identificação, assunto este que levaria uma obra inteira para se abordar e não se esgotaria.

Contudo, encontramos no plano positivo falanges diversas chefiadas por ciganos diversos em planos de atuação diversos, porém, o tratamento religioso não se difere muito e se mantêm dentro de algumas características gerais. Imenso é o número de espíritos ciganos que alcançaram lugar de destaque no plano espiritual e são responsáveis pela regência e atuação em mistérios do plano de luz e seus serviços, carregando a mística de seu povo como característica e identificação.

Dentro os mais conhecidos, podemos citar os ciganos Pablo, Wlademir, Ramirez, Juan, Pedrovick, Artemio, Hiago, Igor, Vitor e tantos outros, da mesma forma as ciganas, como Esmeralda, Carme, Salomé, Carmensita, Rosita, Madalena, Yasmin, Maria Dolores, Zaira, Sunakana, Sulamita, Wlavira, Iiarin, Rosa Maria, Sarita e muitas outras também. É imprescindível que se afirme que na ordem elencada dos nomes não existe hierarquia, apenas lembrança e critério de notoriedade, sem contudo, contrariar a notoriedade de todos os outros ciganos e ciganas, que são muitos e com o mesmo valor e importância.

Por sua própria razão diferenciada, também diferenciado como dissemos é a forma de cultuá-los, sem pretender em tempo algum estabelecer regras ou esgotar o assunto, o que jamais foi nossa pretensão, mesmo porque não possuímos conhecimento de para tanto. A razão é que a respeito sofremos de uma carência muito grande de informação sobre o assunto e a intenção é dividir o que conseguimos aprender a respeito deste seguimento e tratamento. Somos sabedores que muitas outras forças também existem e o que passamos neste trabalho são maneiras simples a respeito, sem entrar em fundamentos mais aprofundados, o que é bom deixar induvidosamente claro.

É importante que se esclareça, que a vinculação vibratória é de axé dos espíritos ciganos, tem relação estreita com as cores estilizadas no culto e também com os incensos, pratica muito utilizada entre ciganos. Os ciganos usam muitas cores em seus trabalhos, mas cada cigano tem sua cor de vibração no plano espiritual e uma outra cor de identificação é utilizada para velas em seu louvor. Uma das cores, a de vinculação raramente se torna conhecida, mas a de trabalho deve sempre ser conhecida para prática votiva das velas, roupas, etc.

Os incensos são sempre utilizados em seus trabalhos e de acordo com o que se pretende fazer ou alcançar.

Para o cigano de trabalho se possível deve-se manter um altar separado do altar geral, o que não quer dizer que não se possa cultua-lo no altar normal. Devendo esse altar manter sua imagem, o incenso apropriado, uma taça com água e outra com vinho, mantendo a pedra da cor de preferencia do cigano em um suporte de alumínio, fazendo oferendas periódicas para ciganos, mantendo-o iluminado sempre com vela branca e outra da cor referenciada. Da mesma forma quando se tratar de ciganas, apenas alterando a bebida para licor doce. E sempre que possível derramar algumas gotas de azeite doce na pedra, deixando por três dias e depois limpá-la.

Os espíritos ciganos gostam muito de festas e todas elas devem acontecer com bastante fruta, todas que não levem espinhos de qualquer espécie, podendo se encher jarras de vinho tinto com um pouco de mel. Podendo ainda fatiar pães do tipo broa, passando em um de seus lados molho de tomate com algumas pitadas de sal e leva-los ao forno, por alguns minutos, muitas flores silvestres, rosas, velas de todas as cores e se possível incenso de lótus.

As saias das ciganas são sempre muito coloridas e o baralho, o espelho, o punhal, os dados, os cristais, a dança e a música, moedas, medalhas, são sempre instrumentos magísticos de trabalho dos ciganos em geral. Os ciganos trabalham com seus encantamentos e magias e os fazem por força de seus próprios mistérios, olhando por dentro das pessoas e dos seus olhos.

Uma das lendas ciganas, diz que existia um povo que vivia nas profundezas da terra, com a obrigação de estar na escuridão, sem conhecer a liberdade e a beleza. Um dia alguém resolveu sair e ousou subir às alturas e descobriu o mundo da luz e suas belezas. Feliz, festejou, mas ao mesmo tempo ficou atormentado e preocupado em dar conta de sua lealdade para com seu povo, retornou à escuridão e contou o que aconteceu. Foi então reprovado e orientado que lá era o lugar do seu povo e dele também. Contudo, aquele fato gerou um inconformismo em todos eles e acreditando merecerem a luz e viver bem, foram aos pés de Deus e pediram a subida ao mundo dos livres, da beleza e da natureza. Deus então, preocupado em atende-los, concedeu e concordou com o pedido, determinando então, que poderiam subir à luz e viver com toda liberdade, mas não possuiriam terra e nem poder e em troca concedia-lhes o Dom da adivinhação, para que pudessem ver o futuro das pessoas e aconselha-las para o bem.

É muito comum usar-se em trabalhos ciganos moedas antigas, fitas de todas as cores, folha de sândalo, punhal, raiz de violeta, cristal, lenços coloridos, folha de tabaco, tacho de cobre, de alumínio, cestas de vime, pedras coloridas, areia de rio, vinho, perfumes e escolher datas certas em dias especiais sob a regência das diversas fases da Lua…”

Trecho extraído do livro “Rituais e Mistérios do Povo Cigano ”
Autor: Nelson Pires Filho
Ed. Madras